• Luís Fernando Rebel Machado

ÁGUA, ILUSÃO DO INFINITO


O soviético Yuri Gagarin em 12 de abril de 1961, aos 27 anos de idade, tornou-se o primeiro homem a chegar ao espaço, comprovando que a missão era possível e consagrando a frase: “A Terra é azul. Como é maravilhosa, incrível! ”.


Aprendemos desde de pequeno que vivemos em um planeta com a imensidão azul pela quantidade de água que cobre a sua superfície. Essa informação nos remete a ilusão do infinito ou inesgotável desse recurso natural.


É comum que muitas pessoas, ao observar o planeta Terra, considerem que ele seja, na verdade, um “planeta Água”, uma vez que a sua superfície é composta, em maior parte, por essa substância e é isso que tornam o nosso planeta único perante os mundos atualmente conhecido por nós no universo, uma vez que é a sua disponibilidade na forma líquida em abundância, o principal fator para a existência da vida.


Esse mesmo bem essencial se distribui de forma desigual entre as diferentes partes do planeta. Muitas áreas que sofrem com falta de água são aquelas onde altas densidades populacionais convergem com baixa disponibilidade de água doce.


A Ásia, concentra 60% da população mundial possui apenas 28% dos recursos hídricos do planeta, as Américas, juntas, reúnem em torno de 14% dos habitantes do planeta e tem 41% de todos os recursos hídricos disponíveis, na África com 10%, depois a Europa com 7%, a Oceania com 5% e a Antártida com 5%.


No interior dessas massas continentais, também existem disparidades, de forma que algumas áreas apresentam problemas de conflito e escassez hídrica, tais como o norte da África, o Oriente Médio, o Sul da Ásia e algumas outras regiões do planeta.


Ao analisarmos a disponibilidade de água doce no planeta, observa-se que a quantidade disponível é insuficiente. A aparente abundância de água na natureza talvez justifique, em parte, a negligência histórica dos seres humanos nas suas relações com os recursos hídricos. Sabemos que não existe tanta água doce disponível como a paisagem nos faz ver. O que na realidade temos como água potável é apenas 0,03% do total de água do planeta. Essa insignificante quantia deveria receber todos os cuidados possíveis, no entanto, não é isso o que vemos em quase todos os continentes, os principais aquíferos estão sendo exauridos com uma rapidez maior do que sua taxa natural de recarga.


Tal fator agrava-se com mudança climática, poluição de rios e reservas subterrâneas, além do esgotamento dos demais elementos que mantêm o equilíbrio natural do planeta.


A água doce disponível não é um bem infinito, e sim, uma falsa ilusão.


Luís Fernando Rebel Machado

Presidente do COMDEMA (Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente)


Bibliografia:

- LUMMERICH, Karl-Heinz. 1961: Yuri Gagarin no espaço. Acesso em: 29 março de 2020.MAGALHÃES, T. Perigo de morte (ou risco de vida). Bio 1995;7(7):4-9.

- VICTORINO, C. J. A. Planeta água morrendo de sede: uma visão analítica na metodologia do uso e abuso dos recursos hídricos. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2007.231 p. (1. Água – Uso. 2. Água – Qualidade. 3. Recursos).

- PENA, Rodolfo F. Alves. "Distribuição da água no mundo"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/distribuicao-agua-no-mundo.htm. Acesso em: 29 de março de 2020.


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