• Carla Betta

ESCUTA ATIVA: A ARTE DE ESCUTAR, parte I




Li o texto Escutatória Ou o silêncio como alimento e duas experiências relatadas por Rubem Alves se destacaram para mim: uma, do seu amigo Jovelino, a qual menciono apenas para atiçar a sua curiosidade a ler o texto que consta do livro: “O AMOR QUE ACENDE A LUA”. Na outra, ele relata ter passado uma semana num mosteiro na Suíça, Grand Champs, onde imperava que participasse da liturgia três vezes por dia: às 7 da manhã, ao meio-dia e às 6 da tarde. Qual não foi sua surpresa ao perceber que a liturgia era apenas silêncio e meditação. Sem rezas, sem hinos ou qualquer tipo de fala.


Goethe afirmou que “Falar é uma necessidade, escutar é uma arte”. Por quê?


Ouvir não é o que chamamos de escuta ativa, ouvimos, mas sem prestar atenção, ou seja, não percebemos o outro. Escutar é muito mais que ouvir, é compreender a mensagem do outro na sua totalidade, tendo também em atenção aos gestos e emoções demonstrados ao longo da comunicação.


A escuta ativa envolve um grande esforço consciente. Para melhor ouvirmos, é preciso: atenção, foco, percepção sutil e objetiva do humor da outra pessoa (preocupada? triste? entusiasmada?), observando gestos, entonação de voz, expressão facial. Uma mesma frase pode ter diferentes significados, conforme a falamos. Nas apresentações da “Terça Insana”, que pode ser vista no youtube (https://youtu.be/0_AEhhdo6xE), o humorista que se traveste de “Irmã Selma”, afirma, entredentes, que “criança relaxa”, ficando evidente que a personagem não tem paciência alguma com crianças. A frase se veste do cinismo e da ironia e comunica o inverso do que foi, efetivamente, dito.


Resumidamente, na comunicação há o emissor (quem emite a mensagem), o receptor (quem recebe a mensagem), o meio por onde a mensagem é transmitida (telefone, fala, etc) e o código da mensagem, que, em nosso caso, é o idioma português-brasileiro.

Os estudiosos desse assunto listarão outros elementos, mas para nosso entendimento da “Escuta Ativa”, esses cinco são suficientes.

Autor e ilustrador: Alexandre Beck

Nesta tirinha de HQ, o emissor, embora esteja usando o mesmo código (língua portuguesa) que o receptor, escreve uma frase que dá margem a interpretações. Portanto, a mensagem emitida deve ser suficientemente esclarecedora. O receptor interpreta a mensagem de acordo com sua própria perspectiva.


Como demonstrar que você está escutando, que você está acolhendo a fala daquela pessoa?


Dicas úteis e práticas para bem ouvir e aprender a Escuta Ativa:


* Atenção, de fato, ao invés de estar pensando em qualquer outra coisa, focar no que está sendo dito. Ao invés de estar pensando no que vai responder ou em alguma situação da sua vida que deseja contar após a narrativa do outro, estar atento.

* Ver, perceber as emoções nos gestos, na voz e nas expressões faciais e corporais.

* Posição Firme, isto é, manter a cabeça ereta e em direção ao emissor.

* Parar De Falar, o que pode parecer óbvio, mas não o é. Estamos, na maioria das vezes, mais preocupados em falar que em ouvir.

* Evitar, sistematicamente as interrupções, sendo que a interrupção que demonstra interesse, que pergunta buscando melhor entendimento é bem vinda. Podemos parafrasear a fala do outro para verificar se, realmente, estamos compreendendo a mensagem.


Você deixa claro que ouve quando:


* Estabelece contato visual.

* Balança a cabeça afirmativamente.

* Faz perguntas referentes ao assunto que está sendo dito.

* Resume de algum modo o que a pessoa falou.

* Constrói novas ideias a partir do que foi dito.

* Evita fatores de distração (como celular e fone de ouvido).


Escuta Ativa é acolher as necessidades do outro.


Link do texto de Rubem Alves: (https://www.inf.ufpr.br/urban/2019-1_205_e_220/205e220_Ler_ver_para_complementar/RubemAlves__Escutat%C3%B3ria.pdf )


Carla Betta

Trabalha na PÓS-GRADUAÇÃO DA EEP/FUMEP



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