• Bruno Maroun Roel

PANDEMIA E A INDÚSTRIA 4.0

Hoje vivemos na Quarta Revolução Industrial, também conhecida como Industria 4.0, onde o ponto principal é a tomada de decisão exclusivamente entre máquinas, sem interferência humana.

As Revoluções Industriais são eventos que trazem muita modernidade e novas tecnologias em diferentes áreas. O mundo já vivenciou três revoluções industriais durante o processo de evolução das empresas, e são nesses tempos que novas tecnologias e novos formatos de produção surgem. Hoje vivemos na Quarta Revolução Industrial, também conhecida como Industria 4.0, onde o ponto principal é a tomada de decisão exclusivamente entre máquinas, sem interferência humana. A revolução em que vivemos traz pilares que são possíveis caracterizar esse evento, alguns deles são, por exemplo, a “inteligência artificial”, o “big data” e a “realidade aumentada”. Em 2020 uma crise instalou-se no mundo afetando todos os setores da economia. A pandemia do COVID-19 criou vários obstáculos para todos continuarem realizando suas atividades, a maioria a distância. Porém, são nesses momentos que é possível observar a grande evolução que a humanidade consegue atingir. Assim, com todos os desafios dificultando os trabalhos, foi observado uma grande utilização de metodologias da indústria 4.0 para a realização e continuidade de diferentes trabalhos nas empresas e inclusive em hospitais. E assim, é visível a grande evolução tecnológica que muitas empresas tiveram nesse curto período.


A revisão sistemática “How the Industry 4.0 can overcome the Covid-19 pandemic: a systematic review” (Como a Industria 4.0 pode superar a Covid-19: uma revisão sistemática) foi escrita pelos autores: Pedro Henrique Ribeiro Botene, Bruno Maroun Roel, Milton Vieira Junior e André de Lima durante o ano de 2020. Este artigo analisou e pesquisou como os pilares da indústria 4.0 ajudaram diferentes setores a enfrentar esta crise sanitária. Como o assunto era novo na época, foi percebido que o tema estava começando a aparecer como destaque nos sites científicos. E isso foi concluído, quando o grupo notou que o número de artigos eram superiores de quando se iniciou a pesquisa. O trabalho realizado pelos quatro autores foi publicado no Congresso Internacional IJCIEOM (International Joint Conference on Industrial Engineering and Operations Management) em 2021, realizado de forma remota no mês de Fevereiro, e todas as informações deste texto estão relacionadas a essa revisão sistemática do grupo.


Também foi analisado que, no princípio, quando a nova doença começou a aparecer na China, não existia um estudo que comparasse as tecnologias da I4.0 com uma crise mundial de saúde pública. Assim, com o passar dos meses, pôde-se ver uma tendência de alta nos assuntos relacionados a COVID-19, pandemia, e Indústria 4.0. É notado, que o “boom” foi no mês Maio de 2020, quando o tema começou a ter notoriedade mundial e as pesquisas cientificas começaram a aparecer. A partir deste ponto, foi crescente, mês a mês, a quantidade de artigos que aparecem fazendo referência a esses assuntos.


Outra analise que é possível relatar é a relação de países que publicaram informações e pesquisas cientificas sobre COVID-19 e as tecnologias da Indústria 4.0. Nos primeiros meses, a Índia, os Estados Unidos, o Reino Unido e a Itália, eram os 4 maiores países que mais publicaram artigos sobre o tema. O Brasil, não apareceu nesta primeira lista, o país só foi notado na última relação que o grupo pesquisou. Isso mostra o quanto os demais países estão na frente do Brasil, em relação a pesquisas cientificas.


O estudo mostrou que apesar da Indústria 4.0 ser uma ferramenta fortemente utilizada no ramo da engenharia, esse setor apareceu em segundo lugar dentre as áreas que mais utilizaram essas tecnologias. O setor que mais utilizou foi a medicina, pois as ferramentas ajudaram em diversas formas as equipes médicas em ações de rápida decisões e urgentes, isso foi um ponto positivo, pois devido a rápida e forte transmissão, quanto mais rápidas e certeiras eram as ações tomadas pelas equipes médicas, menor era a quantidade de pessoas contaminadas e consequentemente, menos pessoas nos hospitais. O terceiro setor que teve um pico de pesquisas foi o da ciências sociais, mostrando que o covid-19 e suas formas de combate têm profundo impacto na vida social de indivíduos e grupos humanos e as metodologias da I4.0 podem ajudar no enfrentamento desse setor também.


Com a revisão sistemática, foram analisados quais os pilares da I4.0 que mais se destacavam dentre todas as menções aos pilares. Com isso, é possível verificar que a Inteligência Artificial foi referenciada em 27% dos estudos. Em seguida aparece a Big Data e Analytics com 14% e logo após vem a Realidade Virtual e a Internet das Coisas (IoT). Essas quatro ferramentas representam cerca de 66% das ferramentas utilizadas nesse período. É importante mencionar também, que é possível separar o uso dessas ferramentas em dois grupos:


• Ferramentas usadas para apoiar a sociedade: ajudam as pessoas a seguir a quarentena e manter o distanciamento social de forma eficaz para reduzir a propagação da infecção;


• Ferramentas usadas para controlar a pandemia: ajudam na formulação de estratégias para reduzir a infecção, para ajudar nas instalações de saúde e para apoiar a sociedade funcionando como uma só.


É estudado também uma relação de quais áreas mais se destacam das que utilizaram as metodologias da I4.0. Por se tratar de uma pandemia que está causando uma crise de saúde global, as duas primeiras áreas mais citadas foram: Saúde (39%) e Saúde Pública (31%). Juntas, essas duas áreas que simbolizam a ampla área da saúde representam cerca de 69% de todas as 10 mais citadas. Em seguida aparece os setores da Indústria, Cadeia de Suprimentos e Turismo.


Ao fim da pesquisa, conclui-se que esta crise que se instalou em todo mundo desencadeou uma enorme demanda por tecnologia em todos os setores, mas principalmente no setor da saúde, com respostas mais rápidas e eficientes para os problemas. A limitação do tempo é um fato para o trabalho que foi analisado, já que foi realizado durante 3 meses e nesse período foi possível verificar o significativo interesse pelo assunto e o surgimento de novas pesquisas sobre as relações dos temas de Pandemia e a Indústria 4.0.


Bruno Maroun Roel Aluno do curso de Engenharia de Produção da EEP


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