• Carla Betta

ESCUTA ATIVA: A ARTE DE ESCUTAR, parte II


Conforme artigo anterior, discutíamos a Escuta Ativa, o que é emissor, canal, mensagem, código e receptor, exemplificamos dicas de como melhor escutar.


Entre o emissor e o receptor, além de canal, mensagem e código, temos que lidar com os diversos modos de observar (e, muitas vezes, julgar) o outro e com as expectativas de um e de outro.


Vamos analisar a mesma tirinha de HQ do texto passado:

Autor e ilustrador: Alexandre Beck

A expressão facial do menino de contemplação e contentamento passa despercebida pelo adulto que “enxerga” um vendedor e seu produto.

Ralph Waldo Emerson afirma: “Aquilo que você É soa tão alto em meus ouvidos,

que mal posso ouvir o que você DIZ”


O que entrava a nossa escuta?


* Indiferença, quando não damos atenção à fala da pessoa, não nos importamos em ouvir o conteúdo da mensagem, por razões que veremos a seguir ou por um hábito adquirido.

* Impaciência, quando não nos dispomos a escutar e/ou esperamos que a pessoa tenha um modo de falar, um ritmo de fala que corresponda aos nossos parâmetros.

* Preocupação, quando estamos mais focados em nossos problemas, que em escutar o outro.

* “Classe Social”, isto é, quando não nos identificamos com a camada social a qual pertence o emissor e não respeitamos as diferenças advindas disso.

* Nossos preconceitos, de modo geral, não apenas racistas ou sexistas.

* Maneira de vestir, ou seja, quando a roupa é mais importante que a mensagem.

* Sotaque. Principalmente, se pensarmos nas diferentes pronúncias que temos no território brasileiro.

* Gesticulação ou a falta dela. Além dos gestos ou da imobilidade, é preciso escutar o que o outro está dizendo.

* Palavras complexas ou gírias. Costumamos implicar com ambos, ou por não compreendermos certas palavras, classificadas como eruditas ou por considerarmos que certas palavras são chulas.


Portanto, além das palavras, temos que estar atentos a:


* Entonação. A mesma frase dita de diversas maneiras comunica significados diferentes.

* Expressão. Está nosso interlocutor triste? Preocupado? A expressão demonstrada implica em sentimentos diversos.

* Energia. Para influenciar quem os assiste, os/as apresentadores/as de televisão expressam entusiasmo, indignação, comoção, etc. O tipo de energia empregado na fala determina o significado.

* Emoção. Qual a emoção expressada? Se eu digo: “Fui demitida” alegremente ou tristemente determina se é uma boa ou má notícia.

* Gestos. Muitas vezes substituímos por gestos, por inclinações de cabeça, por olhares as palavras que desejamos proferir.

*Percepção. A percepção do mundo é diferente para cada um, cada pessoa percebe um objeto ou uma situação de acordo com os aspectos que têm especial importância para si própria.


Todos esses tópicos poderiam se resumir à necessidade de sermos empáticos, de nos esforçarmos e conseguirmos nos colocarmos no lugar do outro, com a cabeça e o coração da outra pessoa, isto é, pensarmos e sentirmos do mesmo modo que o nosso interlocutor, sem paralelos com o que somos, mas identificando e integralizando a personalidade e o sentir do outro.


Como bem conceitualizou Jacob Levy Moreno:


Encontro de dois.

Olho no olho.

Cara a cara.

E quando estiveres perto

eu arrancarei os seus olhos

e os colocarei no lugar dos meus.

E tu arrancarás os meus olhos

e os colocará no lugar dos teus.

Então eu te olharei com teus olhos

e tu me olharás com os meus.


E assim poderemos nos perceber melhor, nos escutar ativamente na direção do entendimento e da harmonia.




Carla Betta

Trabalha na PÓS-GRADUAÇÃO DA EEP/FUMEP



ATENÇÃO: O conteúdo deste artigo é de inteira responsabilidade do autor, a instituição reproduz este conteúdo sem interferência ou participação.



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