• Marcelo Eurípedes da Silva

AUTOMAÇÃO E A FORMAÇÃO PROFISSIONAL DO ENGENHEIRO



Quando eu era criança pequena em Minas eu trabalhava fazendo o serviço de banco da oficina mecânica do meu Pai. O que mais me marcou naquela época eram as enormes filas que se formavam nos bancos no final e no início do mês. Filas que viravam a esquina e facilmente se passava a tarde toda nelas. Lembro-me também de colocar minha bike em um poste qualquer e o medo que tinha de, ao final da tarde, chegar lá e não a encontrar mais.


Mas por que aquelas filas aconteciam? Tomando o tempo das pessoas em filas inúteis. A explicação é simples. O trabalho no banco naquela época era todo manual. Por exemplo, se você fosse pagar uma conta com um cheque. Primeiro, o caixa do banco (pessoa) ia em um arquivo físico (na forma de um grande armário), e verificava se você tinha saldo na conta. Se sim daí ele anotava a quantia que estava sendo subtraída em um papel. Depois ele ia na conta do credor, e anotava o crédito. Tudo com muito cuidado pois erros, de centavos que fossem, eram descontados de seu salário.


Hoje em dia essa situação, e diversas outras, já não existem mais. Elas foram eliminadas por conta do avanço das tecnologias em Automação. Você já se perguntou por que o Uber tem preços melhores? Porque ele automatiza o trabalho do taxista, minimizando a distância que o taxi roda sem passageiro, ou seja, roda sem ninguém estar pagando a gasolina.


A automação basicamente permite isso: a otimização dos processos, diminuindo custos e melhorando a qualidade, reduzindo também a possibilidade de erros. E, por se tratar da substituição do trabalho braçal, libera o homem de atividades repetitivas o que é bom para saúde, melhorando a segurança no trabalho e evitando lesões por esforços repetitivos. Na indústria atual vemos máquinas operando sozinhas com robôs transportando peças entre elas. Como um exemplo mais recente, a automação também ajudou a salvar a humanidade nesses tempos de pandemia, pois sem ela não seria possível a produção de vacinas em larga escala, para o mundo todo, e em tempos recordes, como foi feito agora para as vacinas do COVID-19.


E quem implementa essas maravilhas na sociedade? Os Engenheiros. Mas é preciso esclarecer que, por necessitar de conhecimentos em várias áreas da Engenharia, tais como mecânica, elétrica, química, computação, é um esforço que envolve várias pessoas e empresas. Portanto, ao trabalhar com automação o Engenheiro também desenvolve as capacidades de solução de problemas complexos, liderança, trabalho em equipe, negociação e de gestão de projetos. Capacidades essas que ele pode levar para outras áreas da engenharia e fora dela, tais como trabalhos em bancos, em ONGs, entre outras.


Como essas habilidades são muito importantes para a formação dos Engenheiros, na EEP, procuramos desenvolvê-las, aproveitando a disciplina de automação para propor aos alunos que se reúnam em grupos e solucionem problemas no lugar de avaliações formais, tais como provas escritas. As avaliações são feitas no laboratório, onde os alunos implementam as soluções propostas. Essa abordagem também nos permite fugir do ensino tradicional, onde os problemas são geralmente “enlatados”, ou seja, as provas são feitas com questões onde se colocam todos os dados que o aluno precisa. O trabalho de engenharia no mundo real é muito mais complexo. É necessário buscar dados, alternativas e muitas vezes negociar essas alternativas com o cliente, mostrando que determinadas soluções atendem à demanda, apesar de não ser “exatamente” o que foi pedido. Os alunos são estimulados a fazer esses exercícios.


Em resumo, estudar automação permite aprender muito mais do que as simples técnicas necessárias para a disciplina. Permite aprender habilidades e competências para a uma formação mais holística do profissional de engenharia. Profissão essa que é tão importante na sociedade e cujos resultados ajudam a humanidade a evoluir.


Mas e os empregos? Sim, a automação tira realmente os empregos, mas aqueles relacionados com trabalhos repetitivos, como o exemplo do banco que citei no início desse artigo. Imaginem quantos avós ganharam tempo para curtir a família, os netos. E para os mais novos? Para eles sobra tempo para estudar e trabalhar em empregos que usam mais o cérebro.


A humanidade ainda tem muitos problemas complexos para resolver, e precisa de muitos cérebros trabalhando em cima deles, tais como: criar baterias mais eficientes, meios de transporte mais eficientes. Propor uma nova teoria da unificação das forças físicas que faça mais sentido para nossas mentes. Descobrir a cura para o Câncer. Descobrir uma super vacina. Desenvolver tecnologias para eliminar fake News. Descobrir como reciclar o lixo orgânico de forma mais eficiente. Desenvolver projetos para acabar com as favelas, com os crimes, com as drogas. Enfim, trabalho não vai faltar. E o tempo? Virá quando a automação nos liberar para trabalharmos nesses problemas.


Prof. Ms. Marcelo Eurípedes da Silva Mestre Engenharia Mecânica - Din. de Sist. Dinâmicos


Acesse: www.marceloeuripedes.com.br


Cursos Envolvidos: Engenharias EEP



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