• Fábio Penatti

UMA INTERAÇÃO DE SUCESSO: A IMPORTÂNCIA DAS TRÊS QUALIDADES PARA A SAÚDE DAS EMPRESAS


Muitos termos se usam atualmente para se classificar ou rotular nossa geração. Talvez a mais utilizada é o “selo” 4.0, referindo-se a era que estamos vivenciando da 4ª Revolução Industrial. Tal selo é utilizado para quase tudo que se tem importância ou valor para as indústrias, para a sociedade, e por que não, para as nossas vidas. Indústria 4.0, Liderança 4.0, Sistema de Gestão 4.0, entre inúmeros outros temas já vistos. Vivemos em uma era onde a velocidade da transformação e da inovação é o que baliza nossas decisões, as decisões corporativas e as decisões de qualquer país.


A quarta revolução industrial é uma realidade, e nossa geração tem o privilégio de vivenciá-la em seu início. Empresas devem estar em constante mudança de cultura, governança, e gestão, onde a qualidade é tema fundamental e básico para se adaptar à estas transformações. Metodologias, ferramentas e modelos de gestão, também devem estar em constante adaptação frente às exigências do mercado, clientes, consumidores, meio ambiente, pessoas e sociedade como um todo. Processos devem ser se reinventados e inovados para suportar as demandas cada vez mais específicas e desafiadoras, independente da parte interessada aplicável à esta qualidade.


O termo qualidade, em sua origem qualitate, sempre foi utilizado em várias formas de aplicação, como qualidade de vida, qualidade do ar, qualidade do produto, qualidade social, entre outras. Devido à complexidade do tema, e seguindo a máxima de que a qualidade é um grau ou nível que se deve atingir de acordo com alguma referência, normas, métodos e outros materiais, geralmente são utilizados para se determinar esta categoria, ou seja, algo de boa qualidade ou má qualidade, de acordo com algum referencial. Como é de conhecimento comum, empresas utilizam normas de referência para garantir a qualidade de alguma área, processo, produto ou serviço. Estas normas geralmente são de reconhecimento internacional, e são aplicadas de acordo com a necessidade de cada empresa, entre elas são ISO 9001, ISO 22000, 6 Sigma, ISO 14001, ISO 45001, Kaizen, entre outras. Estas referências determinam a qualidade dos processos por meio de sistemas completos de implementação, desta forma, muitas empresas optam em medir a saúde do seu negócio por meio dos indicadores requisitados por estas normas.


Quando o assunto é qualidade, e quando pensamos nos referenciais pelos quais precisamos atingir para obtê-la, o meio mais comum é buscarmos algo validado e prático. Para as empresas, este tipo de pensamento não é diferente. Primeiramente, e para garantir a saúde do negócio, e claro, o mais óbvio é ter e manter um produto de qualidade, acessível, atraente, mantendo a fidelidade dos clientes. O foco do negócio deve ser o foco no cliente, primeiramente. Mas, quais são as expectativas dos clientes, realmente? Ter um produto de qualidade, acessível e de fácil aquisição, somente? Sim, estes são requisitos básicos para o mercado, atualmente. Mas se estes são requisitos básicos, além destes, o que mais é exigido? Cada vez mais, os níveis de exigências das cadeias de suprimentos entre clientes e fornecedores, estão se elevando, indo além do oferecimento de um preço bom, uma qualidade boa, e uma logística boa. Tais exigências tramitam para outras garantias como redução de impactos sociais, aos trabalhadores, ao meio ambiente, e entre outras. Assim, começamos a entender que além da qualidade do produto, existem outras qualidades que devem ser garantidas para a saúde do negócio, e também, além de anteder os clientes, existem outras partes interessadas que possuem suas expectativas, que norteiam todo o sistema de produção.


Os referenciais utilizados como padrão de qualidade nas empresas estão disponíveis nas Normas ISO – International Organization for Standadization, mais precisamente, resumidas na ISO 9001, ISO 45001 e ISO 14001, ou seja, que atualmente são as mais utilizadas pelas empresas, para padronização do sistema de gestão de qualidade, saúde, segurança e meio ambiente.


O Sistema de Gestão da Qualidade padronizado pelos requisitos da ISO 9001, tem como principal função de atuação, a garantia de que os processos, que resultam no produto final ofertado pela organização, são capazes de atender as exigências dos clientes alinhados com normas, ou demais padronizações específicas, assim como, as próprias padronizações determinadas pela organização. Desta forma, com os compromissos firmados e aplicados, e com base nos requisitos desta norma, este sistema de gestão visa atender a satisfação do cliente devido à conformidade gerada de todos os seus processos com relação às exigências desta norma (ABNT, 2015). Consideramos que esta é a primeira qualidade, ou seja, a garantia de que o produto final está alinhado com os processos, padrões e pela oferta do produto conforme o relacionamento com o cliente, ou consumidor.


Se a norma NBR ISO 9001, visa a garantia da qualidade do produto ou serviço, a ISO 14001, visa garantir de que todos os processos utilizados para este fim, sejam conduzidos de forma controlada referente ao meio ambiente, ou seja, que nenhuma atividade resulte em impactos ambientais acima dos limites impostos por legislações, ou pela própria organização, de acordo com sua estratégia. A padronização do sistema de gestão ambiental, de acordo com a ISO 14001, é a garantia de uma outra qualidade, que está ligada diretamente com os processos das empesas, sendo a qualidade ambiental. De acordo com a norma ISO 14001 (ABNT, 2015), seus requisitos possuem a função de padronizar a implantação do sistema de gestão ambiental em qualquer categoria de organização, de forma sistemática, de modo que faça aumentar seu desempenho ambiental continuamente.


Por fim, e certamente, não menos importante, a ISO 45001. Esta norma trata do cuidado com as vidas dos trabalhadores diretamente envolvidos nos processos operacionais, ou seja, que participam diretamente da produção. Os requisitos desta norma determinam que cada processo operacional possua monitoramentos e controles de todos os perigos e riscos ocupacionais, de modo que garanta a preservação da saúde dos trabalhadores envolvidos nestas atividades. Portanto, o escopo das funções desta norma delimita os requisitos para a implantação do sistema de gestão de saúde e segurança ocupacional (SSO), para que cada processo e condições dos ambientes de trabalho garantam o estabelecimento de ações de prevenção de lesões e problemas ocasionados pelo labor dos processos, e também visa melhorias contínuas no desempenho de SSO (ABNT, 2018). Com a padronização do sistema de saúde e segurança ocupacional, a empresa pode atingir a outra qualidade, a qualidade que envolve o ambiente social e de vida nas empresas, oferece ao trabalhador um ambiente saudável e confiável para se trabalhar, além de atender os objetivos do negócio.


De maneira integrada, ou seja, na linha de um Sistema de Gestão Integrado (SGI) que envolve as funções destas três qualidades, cria-se uma forte tendência para a formação de uma rede entre empresas que mantém suas relações de entradas e saídas, e desta forma, exigem a adoção de sistemáticas de seleção de fornecedores, desenvolvendo assim, uma cadeia de suprimentos padronizada, e que devem seguir, direta ou indiretamente, as exigências de seus compradores (clientes), que são fundamentadas nas normas estruturais deste Sistema, conhecido como SGI.


Neste sentido, toda esta rede formada deve seguir uma padronização sistemática com os mesmos objetivos e as mesmas causas, relacionados ao escopo de cada norma, que além da garantia da qualidade do produto ou do serviço, deve-se garantir também que os processos de fornecimento obtenham seus devidos controles para a preservação da saúde dos envolvidos, e com o mínimo de impacto ambiental possível em todos os processos envolvidos de produção.


Assim, fundamentando-se nesta questão, a própria estruturação da empresa deve possuir políticas apropriadas à realidade de todas as partes interessadas ligados ao negócio, organizadas através das suas atividades de planejamento, responsabilidades setoriais e procedimentos operacionais, para que a forma de atuação dos recursos humanos, administrativos e de governança, dentro da integração destes sistemas de gestão, pode-se trazer benefícios para a sociedade como um todo, de modo pelo qual a saúde das empresas também seja sustentável.

Prof. Dr. Fábio Eduardo Penatti

Doutor em Toxicologia Ambiental

Auditor e professor de SGI


Cursos Envolvidos:

Auditor Interno para Sistema de Gestão Integrada (SGI) - CEPP/FUMEP

Engenharia Ambiental e Sanitária da EEP



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